26 de dez de 2010

ruídos,

Ele esbravejava palavras crueis ao vento. Movia arduamente os braços, em gestos de acusação e intimidação.
E eu ouviria os ecos da situação mesmo de muito longe. Estavam dentro de mim. Dentro da minha alma, da minha vida. Eram parte de mim.
Aqueles olhos secos, de dificil interpretação, ainda pareciam olhar em minha direção. E todas as coisas que dissera, eu ainda as podia ouvir.
Então ele acordava diferente. Todos os dias. Transformava-se a cada segundo em alguém diferente, incompreensível.
Sem desculpas, sem murmúrios, sem ódio. De repente era tudo paz, tudo amor.
Mais alguns copos vinham, e os gritos voltavam. Aquele ser irreconhecível voltava.
Era como viver em deja vu.
É como conviver com um estranho, todos os dias de minha vida.

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