26 de fev de 2010

Cinderela Shakespeariana

"No fim, depois de pesquisas intermináveis em livros e internet, quando mamãe já estava rendendo-se aos nomes comuns como Mariazinha ou Felisberta (se isso lá é nome...), uma músiquinha infeliz tocou no rádio, dando asas a imaginação pequenina dos Anschau.


Ela dizia: "Ai, ai, ai minha Cinderela dos contos mais tristes![...]"


E então, em uníssono, todos gritaram: Cinderela, este é o nome!


Para a minha infelicidade ninguém fez objeções à escolha.


A história de Cinderela Anschau,eu, começava."

=D
Ainda tô postando a história.. Mas pra quem quiser ler, tá aí o link:
http://cinderelashakespeariana.blogs.sapo.pt/

21 de fev de 2010

Pequenas coisas

O relógio branco na parede de madeira velha da cozinha denunciava a demora de Bob. Já haviam se passado dois dias desde que desaparecera de casa. Pobre cãozinho, eu pensava comigo mesma.
Magricelo, com pulgas e um par de orelhas pequeninas. Aquele animal irritante que passara  dias e noites acoando para o nada. Desejara tanto que fosse embora de uma vez, e agora que fora, desejava que voltasse.
Tantas noites imaginei como seria ter um cãozinho de raça e bem cuidado. Com um lindo pêlo liso e amarelado. Como seria confortável dormir com ele!
Bob nunca fora obediente. Era um "menino" de personalidade forte. Não aceitava que lhe colocassem coleira alguma. Não respeitava minha voz autoritária nem minha privacidade. Estava sempre lá, metido onde não devia. As poucas vezes que permitia que lhe dessem banho, eram de intensa alegria e orgulho para nós. Mas isso nunca durava muito. Logo voltava com o fucinho preto de terra e as patas cheias de grama.
Cachorrinho danado! Como eu desejei que fosse diferente... Sempre odiei todas aquelas travessuras que fazia.
Mas agora, naquela agonia de tê-lo perdido, tudo parecia-me tão lindo... Os ossos pela casa, os tapetes na rua, os buracos no jardim. Tudo me parecia uma bela travessura de menino.
Como eu queria que estivesse ali comigo. Como desejava que viesse sujo de lama e sentasse no tapete branco de marca. Como seria maravilhoso se aparecesse ali todo sujo e com cara de culpado...
Percebi então, que tudo aquilo que um dia me deixara aborrecida, agora parecia-me tão suave e doce. Eu estava descobrindo o valor das pequenas coisas do cotidiano.
Um barulho veio da rua. A porta da frente balançava, e de lá vinham alguns latidos. Era Bob. Estava com as patas cobertas de lama e grama sobre meu tapete branco. O fucinho estava coberto de terra, e entre as patinhas havia um dos meus brincos de diamante. Comecei a sentir o calor do ódio subindo pela espinha. Mas então, percebi seus olhinhos brilhavam e seu rabinho abanava. Estava feliz em me ver. Deixei as superficialidades de lado e dei espaço para um abraço gostoso.
Ficamos ali sentados na varanda por um bom tempo. Confesso que foi um dos nossos melhores momentos.

18 de fev de 2010

Carnaval: Celebração ou depravação?

Bom, agora que o carnaval já terminou (ainda bem!) posso falar sobre isso sem problemas.
Na real eu nunca gostei de carnaval, e acho que todo o dinheiro que é arrecadado, todo o esforço e dedicação das pessoas poderia ser usado pra algo bem mais útil. No mínimo decente.
Mas não quero generalizar... Estou me referindo ao carnaval do Rio, SP e outros. Me refiro as mães de família que vão para a rua praticamente nuas e ainda acham bonito.
Se encontrassem o(a) filho(a) na rua sem roupa e dançando, na certa seria tomado como algo depravado e feio. Mas aí no carnaval a globo transmite DURANTE O DIA uma mulher NUA com apenas alguns desenhos sobre o corpo.
Aí você se pergunta: "A televisão tem horários e programações com classificação de idade, para que isso não aconteça. Então se podem passar uma mulher nua dançando durante a tarde, pq não podem passar big brother e afins também?"
Pois é minha gente. Perdoem-me aqueles que gostam dessa festividade. Eu acho tudo muito bonito. A dedicação, a pesquisa por um tema, os carros e as fantasias. O que não me agrada é o exibicionismo do corpo feminino no desfile.
As pessoas vão para os Estados Unidos pela beleza, pelo sonho de crescer profissionalmente e até estudar. Outras vão para o Japão para conhecer de perto o melhor da tecnologia. Pessoas vem para o Brasil, para assistirem mulheres nuas dançando.
Que péssimo.

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