12 de jan de 2010

Mundo humano


As pessoas nunca sabem o que dizer ao certo em um enterro.
As pessoas nunca sabem o que dizer ao certo em um casamento.
As pessoas nunca sabem o que dizer ao certo umas as outras.
Isso é fato.
Você nunca pode parecer interessado demais no assunto, pq aí passará por curioso miserável. Mas também não pode se interessar de menos, pq aí vão te achar insensível.
Você não pode ser feliz demais, pq vão te chamar de retardado e querer jogar sorvete na sua cara como diversão (e vão mesmo!). Mas tbm não pode ser triste demais, pq então vão te achar um "pé no saco" sem graça.
Ah é, quase me esqueci! Você nunca pode parecer
imperfeito.
O fato é que as pessoas simplesmente não se importam com você. Elas só querem um motivo para criticá-lo e fazer com que sinta-se inferior a eles.
As pessoas são crueis umas com as outras.
Você pode perdoar a si mesmo por milhares de coisas. Mas precisa de muita luta para perdoar uma simples frase mal expressada de um amigo.

Talvez devessemos aprender o significado de tolerância.
Agora vc deve estar dizendo:
"Eu não sou assim. O fulano ja me fez isso e aquilo e eu o perdoei."
Mentira.
Quando perdoamos alguém, simplesmente nunca mais voltamos a tocar naquilo. Porque o perdão não é um favor que se faz à alguém. Perdoar é um "faz de conta que fui eu". É colocar-se no lugar do outro e simplesmente perdoá-lo, como já fez tantas vezes a si mesmo.
......

Todos somos apenas um pontinho na cadeia alimentar. Somos apenas um complemento do mundo e por isso não deveríamos nos colocar acima de tudo.
O homem é o único animal capaz de refletir suas atitudes. Mas isso não é um mérito, seria se ele o usasse verdadeiramente.

6 de jan de 2010

Grande Edgar

Já deve ter acontecido com você.

— Não está se lembrando de mim?

Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele esta ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?

Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.

Um, curto, grosso e sincero.

— Não.

Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem. Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.


— Não me diga. Você é o... o...

"Não me diga", no caso, quer dizer "Me diga, me diga". Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com sua agonia. Ou você pode dizer algo como:

— Desculpe, deve ser a velhice, mas...

Este também é um apelo à piedade. Significa "não tortura um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!". É uma maneira simpática de você dizer que não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve a insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.

E há um terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.

— Claro que estou me lembrando de você!

Você não quer magoá-lo, é isso! Há provas estatísticas de que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:

— Há quanto tempo!

Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.

— Então me diga quem sou.

Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, e falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:

— Pois é.

Ou:

— Bota tempo nisso.

Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem será esse cara meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas no meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como jabs verbais.

— Como cê tem passado?

— Bem, bem.

— Parece mentira.

— Puxa.

(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)

Ele esta falando:

—Pensei que você não fosse me reconhecer...

—O que é isso?!

—Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.

—E eu ia esquecer de você? Logo você?

—As pessoas mudam. Sei lá.

— Que idéia. (é o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. "Que bom encontrar você!" e paf, chuta uma perna. "Que saudade!" e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)

— É incrível como a gente perde contato.

— É mesmo.

Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.

— Cê tem visto alguém da velha turma?

— Só o Pontes.

— Velho Pontes! (Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)

— Lembra do Croarê?

— Claro!

— Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.

— Velho Croarê. (Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)

— Rezende...

— Quem?

Não é ele. Pelo menos isto esta esclarecido.

— Não tinha um Rezende na turma?

— Não me lembro.

— Devo esta confundindo.

Silêncio. Você sente que esta prestes a ser desmascarado.

Ele fala:

— Sabe que a Ritinha casou?

— Não!

— Casou.

— Com quem?

— Acho que você não conheceu. O Bituca. (Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador . Você esta tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?)

— Claro que conheci! Velho Bituca...

— Pois casaram.

É a sua chance. É a saída. Você passou ao ataque.

— E não avisou nada?

— Bem...

— Não. Espera um pouquinho. Todas essas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, O Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?

— É que a gente perdeu contato e...

— Mas meu nome tá na lista meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.

— É...

— E você acha que eu ainda não vou reconhecer você. Vocês é que se esqueceram de mim.

— Desculpe, Edgar. É que...

— Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam. ( Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele esta na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de "Já?!".)

— Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?

— Certo, Edgar. E desculpe, hein?

— O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.

— Isso.

— Reunir a velha turma.

— Certo.

— E olha, quando falar com a Ritinha e o Manuca...

— Bituca.

— E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?

— Tchau, Edgar!

Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer "Grande Edgar". Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar "Você está me reconhecendo?" não dirá nem não. Sairá correndo.



Texto extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 13.


 Autor: Luis Fernando Veríssimo

5 de jan de 2010

Bússola



Abri meus olhos apenas por obrigação. O despertador ao lado do travisseiro soava. Eram sete e meia da manhã. Eu precisava começar mais um dia da minha interminável rotina. Mas não estava afim.
Eu simplesmente não queria me arrumar para sair na chuva. Simplesmente não iria correr para chegar mais cedo e ser a melhor. Eu não precisava de nada daquilo.
Virei-me pro outro lado e adormeci. Às nove e quarenta a cinco meu despertador tocou mais uma vez. Continuei ali deitada ao som de Colbie Caillat. Lá fora as pessoas continuavam correndo pelas ruas para chegarem mais cedo ao trabalho. Eles desejavam receber mais, serem melhores que os outros.
É claro que nada daquilo faria a mínima diferença depois. Ninguém lembraria de você porque chegou mais cedo ao trabalho. As pessoas só lembrar de alguém quando lhes é conveniente.
Continuei ali jogada na cama até a uma da tarde. A chuva continuava a molhar aqueles pobres homens em busca de um futuro. Percebi que não fazia falta. Eu sabia que se não fosse a primeira a chegar no trabalho e a última a sair, eles simplesmente me descartariam.

Descobri então que durante muitos anos correndo atrás de um futuro, estava construindo uma grande muralha em minha volta. Um muro que me separava dos sonhos.
Descobri então que durante muito tempo a minha maior meta era conseguir guardar dinheiro para comprar um vestido em uma loja cara. Que meu maior desejo era um aumento de salário.
Descobri que por muitos anos esqueci como era ficar de bobeira em casa, sentada num sofá com uma amiga.

Eu não tinha TEMPO.
Liguei para uma pizzaria do bairro. Encomendei duas pizzas tamanho grande de calabresa. Abri a garrafa de refrigerante e servi um copo bem farto para mim e outro para o próximo que cruzasse meu caminho.
Quinze minutos depois a campainha tocou. Era o motoboy.
-Aqui estão suas pizzas senhoras.- disse ele sorrindo por obrigação.
-Ah sim, obrigada.
-Eu que agradeço senhora.
-Ei, espere!
Fui até a sala e busquei o copo de refrigerante. Ele me olhou desconfiado. E então acabou aceitando a bebida. Dessa vez o sorriso era verdadeiro.
Ele saiu e então eu me encontrei sozinha novamente. O telefone tocou milhares de vezes naquele dia. Era meu chefe procurando-me. Deixei que a secretária eletrônica respondesse por mim. Apaguei as luzes da casa e finalmente tive um momento só para mim.
Naquele dia descobri a sútil diferença entre ser educado e ser verdadeiro.
As pessoas são educadas quando não sentem nada. Elas simplesmente precisam de você para algo, e essa é a maneira mais fácil de não criar conflitos.
Ser verdadeiro é não ter medo de aceitar um copo de refrigerante de uma mulher maluca do 308.

(:

Novela Mexicana



Esses dias eu tava bem sentada no sofá assistindo a ISA TKM (siim, eu assisto!) e minha mãe soltou um comentário que é bem comum.
"Agora é a band que vai começar com essas novelas mexicanas"
Mas nãoo! Ela é venezuelana geente!
Aí de repente pintoou uma interrogação na minha cabeça. Por que será que toda vez que transmitem novelas estrangeiras as pessoas insistem em dizer que é do México?
O cara pode ta falando em mandarin lá que sempre tem alguém pra dizer:
"Ai, essas novelas mexicanas"
Aí vem aquele longo suspiro, como quem diz: "Isso é um saco, troca logo de canal!"
Outra coisa que me deixa indignada são aqueles nomes duplos nas novelas do México.
Geente, quem nunca assistiu uma novela de lá onde o protagonista tenha uns trezentos nomes? E o pior é que eles sempre chamam por todos os nomes!
"Carlos Alberto, Carlos Daniel..."
Vai dizer?
Às vezes eu acho que todas as novelas mexicanas são produzidas pela mesma pessoa. Sério.. Não tem uma novela de lá que alguém não fique desmemoriado. É gostar de sofrimento né?!
O cara leva a novela inteira pra ficar com a mocinha da história. Aí quando ele consegue, rola por uma escada, bate a cabeça e tem amnésia!
Coitadinho.. =/
Maas apesar do dramalhão, das roupas estranhas e daquelas trilhas sonoras tiradas do fundo do baú, todo brasileiro gosta de uma boa e velha NOVELA MEXICANA.

Beeijinhos ;*

4 de jan de 2010

Amigos


Ahn...
Hoje está chovendo pra caramba aqui em Taquara. Não sei porque, mas sempre que chove eu lembro dos meus amigos. Talvez porque a chuva lembre diversão, folia e desapego. Não sei...
Senti muita vontade de dizer a eles o quanto são importantes para mim, mas tô meio que sem contato .
Bom, isso tudo me lembrou uma pessoa que ta a pouco tempo na minhaa vida, mas que ja a diferença.
É o tipo de amigo que sempre sabe o que dizer, mesmo não dizendo nada.
E que me chama de tarada (e eu não sou! unf);
É o tipo de amiigo quee doidieiaa muitissimo e depois faz de conta que é certo da cabeça :D

Boom, de qualquer forma eu adooooro ele!

OBS.: AMO todos meus amigos.
ee muitissimo obrigada pelaa forçaa.
tenho as melhores amizadees do muundo *--*

Umm beijãoo enooorme pra Kiinder, Pandinhaa, Maskavo, JR- Tarado anônimo (haha), Ouriinho (maano :D) ee Lipee ♥


AMIGO É MUITO MELHOR QUE SORVETE :P

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