17 de nov de 2010

denominando você,

Então ele abriu os olhos. E pôde ver tudo que jamais havia visto antes.


E então ele viu a alegria, a amizade e o sorriso. E viu o mundo. E viu as pessoas.

Sentia um frescor no peito. E aquilo denominara de VIDA.

Uma inspiração, uma brisa calma que acalentava-lhe o peito. A isso denominou de LIBERDADE.

Logo vieram outros como ele, que o faziam sorrir. Que o faziam bem. Isto ele chamou de AMIZADE.

Como este mundo era perfeito! Ah, ele pensava todos os dias na sua felicidade. Como sentia-se bem vivendo!

E então, por detrás das muralhas enobrecidas pelo sol, veio a tempestade. Ao primeiro ver, desceu iluminando tudo a sua volta.

Os olhos escuros e profundos como a noite traziam mistérios e dores ocultas em si. Os cabelos curtos e lisos que tocavam levemente os ombros delicados da dama. Ela sorrira, e num segundo tudo ficara melhor. Seu coração transbordava em uma alegria radiante, que parecia-lhe que sairia a dançar pelas ruas.

Ao primeiro ver, tudo ficara ainda melhor. Tudo ficara perfeito.

Mas as nuvens enegrecidas aguardavam no céu o aviso. Estavam prestes a inundar o cântico alegre do moço.

Vieram então as notícias do recente noivado da dama com um jovem de boa família da capital. E o casamento, e os filhos.

Um ardor surgiu em seu peito, queimando-lhe vagarosamente a alma. A isso, chamou de CIÚME.

Aos poucos perdia os movimentos, os pensamentos, os sorrisos e a calmaria. Tudo parecia correr mais devagar. O relógio parecia não andar e o dia parecia não chegar nunca. Sentia-se em uma escuridão eterna.

As coisas iam perdendo a graça de outrora. Até mesmo as flores que pintavam o jardim de alegria, pareciam ter perdido o encanto.

A toda essa súbita felicidade, trazida com um ardor e um sutil desgaste, a tudo isso, ele deu o nome de AMOR.

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