5 de jan de 2010

Bússola



Abri meus olhos apenas por obrigação. O despertador ao lado do travisseiro soava. Eram sete e meia da manhã. Eu precisava começar mais um dia da minha interminável rotina. Mas não estava afim.
Eu simplesmente não queria me arrumar para sair na chuva. Simplesmente não iria correr para chegar mais cedo e ser a melhor. Eu não precisava de nada daquilo.
Virei-me pro outro lado e adormeci. Às nove e quarenta a cinco meu despertador tocou mais uma vez. Continuei ali deitada ao som de Colbie Caillat. Lá fora as pessoas continuavam correndo pelas ruas para chegarem mais cedo ao trabalho. Eles desejavam receber mais, serem melhores que os outros.
É claro que nada daquilo faria a mínima diferença depois. Ninguém lembraria de você porque chegou mais cedo ao trabalho. As pessoas só lembrar de alguém quando lhes é conveniente.
Continuei ali jogada na cama até a uma da tarde. A chuva continuava a molhar aqueles pobres homens em busca de um futuro. Percebi que não fazia falta. Eu sabia que se não fosse a primeira a chegar no trabalho e a última a sair, eles simplesmente me descartariam.

Descobri então que durante muitos anos correndo atrás de um futuro, estava construindo uma grande muralha em minha volta. Um muro que me separava dos sonhos.
Descobri então que durante muito tempo a minha maior meta era conseguir guardar dinheiro para comprar um vestido em uma loja cara. Que meu maior desejo era um aumento de salário.
Descobri que por muitos anos esqueci como era ficar de bobeira em casa, sentada num sofá com uma amiga.

Eu não tinha TEMPO.
Liguei para uma pizzaria do bairro. Encomendei duas pizzas tamanho grande de calabresa. Abri a garrafa de refrigerante e servi um copo bem farto para mim e outro para o próximo que cruzasse meu caminho.
Quinze minutos depois a campainha tocou. Era o motoboy.
-Aqui estão suas pizzas senhoras.- disse ele sorrindo por obrigação.
-Ah sim, obrigada.
-Eu que agradeço senhora.
-Ei, espere!
Fui até a sala e busquei o copo de refrigerante. Ele me olhou desconfiado. E então acabou aceitando a bebida. Dessa vez o sorriso era verdadeiro.
Ele saiu e então eu me encontrei sozinha novamente. O telefone tocou milhares de vezes naquele dia. Era meu chefe procurando-me. Deixei que a secretária eletrônica respondesse por mim. Apaguei as luzes da casa e finalmente tive um momento só para mim.
Naquele dia descobri a sútil diferença entre ser educado e ser verdadeiro.
As pessoas são educadas quando não sentem nada. Elas simplesmente precisam de você para algo, e essa é a maneira mais fácil de não criar conflitos.
Ser verdadeiro é não ter medo de aceitar um copo de refrigerante de uma mulher maluca do 308.

(:

3 comentários:

  1. Ser verdadeiro [e maluco] é aceitar conselhos do retardado que usa a imagem de um gato no lugar da foto. <3

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  2. E ser educado é dizer que ele é bonito. ;P

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  3. ahieoahehoaiehioa² eu ri! maas é bem aboobado messmo :P

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